segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Um físico apresentou uma matemática que mostra que a viagem no tempo "sem paradoxos" é plausível

Físico vem trabalhando bastante na matemática para mostrar viabilidade do projeto

Ninguém ainda conseguiu viajar no tempo – pelo menos até onde sabemos –, mas a questão de saber se tal façanha seria ou não teoricamente possível continua a fascinar os cientistas.

É um arranhão monumental conhecido como o “paradoxo do avô”, mas há alguns anos o estudante de física Germain Tobar, da Universidade de Queensland, na Austrália, descobriu como “quadrar os números” para tornar a viagem no tempo viável sem os paradoxos.

“A dinâmica clássica diz que se você conhece o estado de um sistema em um determinado momento, isso pode nos contar toda a história do sistema”, disse Tobar.

“No entanto, a teoria da relatividade geral de Einstein prevê a existência de loops de tempo ou viagens no tempo – onde um evento pode estar tanto no passado quanto no futuro de si mesmo – teoricamente virando o estudo da dinâmica de cabeça para baixo.

O que os cálculos mostram é que o espaço-tempo pode potencialmente se adaptar para evitar paradoxos.

Para usar um exemplo atual, imagine um viajante do tempo viajando ao passado para impedir que uma doença se espalhe – se a missão fosse bem-sucedida, o viajante do tempo não teria nenhuma doença para voltar no tempo para derrotar.

O trabalho de Tobar sugeria que a doença ainda escaparia de outra maneira, por uma rota diferente ou por um método diferente, removendo o paradoxo. O que quer que o viajante do tempo fizesse, a doença não seria interrompida.

O trabalho de Tobar não é fácil para os não-matemáticos se aprofundarem, mas analisa a influência de processos determinísticos (sem qualquer aleatoriedade) em um número arbitrário de regiões no continuum espaço-tempo e demonstra como ambas as curvas fechadas semelhantes ao tempo (conforme previsto por Einstein) pode se encaixar nas regras do livre-arbítrio e da física clássica.

“A matemática confirma – e os resultados são coisa de ficção científica”, disse o físico Fabio Costa, da Universidade de Queensland, que supervisionou a pesquisa.

A pesquisa suavizou o problema com outra hipótese, que a viagem no tempo é possível, mas que os viajantes do tempo seriam restritos no que faziam, para impedi-los de criar um paradoxo. Nesse modelo, os viajantes do tempo têm a liberdade de fazer o que quiserem, mas os paradoxos não são possíveis.

Embora os números possam funcionar, dobrar o espaço e o tempo para entrar no passado permanece indescritível – as máquinas do tempo que os cientistas criaram até agora são tão conceituais que atualmente existem apenas como cálculos em uma página.

Poderíamos chegar lá um dia – Stephen Hawking certamente pensou que era possível – e se o fizermos, esta nova pesquisa sugere que seríamos livres para fazer o que quiséssemos com o mundo no passado: ele se reajustaria de acordo.

“Por mais que você tente criar um paradoxo, os eventos sempre vão se ajustar, para evitar qualquer inconsistência”, disse Costa.

“A gama de processos matemáticos que descobrimos mostra que a viagem no tempo com livre arbítrio é logicamente possível em nosso Universo sem nenhum paradoxo.”

Via Science Alert

Brasileiro descobre manuscrito mais antigo sobre infância de Jesus

O pesquisador brasileiro Gabriel Nocchi Macedo foi um dos responsáveis por descobrir e decifrar o manuscrito mais antigo sobre a infância de Jesus. 

Por décadas, um papiro estava largado em uma biblioteca da universidade de Hamburgo, na Alemanha, sem que ninguém percebesse a sua importância histórica.

Os papirologistas Lajos Berkes, da Universidade de Humboldt, em Berlin, e o brasileiro Gabriel Nocchi Macedo, da Universidade de Liège, na Bélgica, estudaram o manuscrito e identificaram ser a cópia mais antiga do “Evangelho Pseudo-Tomé”.

Gabriel Nocchi Macedo é de Porto Alegre, mas mora na Bélgica há 20 anos. Especialista em papirologia, a ciência que estuda os papiros, o brasileiro é professor de papirologia grega e latina do Departamento de Ciências da Antiguidade, da Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Liège.

Descoberta histórica

O pesquisador brasileiro descobriu que o manuscrito relata a infância de Jesus e data do século V, traduzindo um conteúdo que não está na Bíblia, segundo uma nota publicada na quarta-feira (12), pela universidade de Humboldt.

A tradução feita por Lajos Berkes e Gabriel Macedo é uma “descoberta significativa para o campo da pesquisa”. Antes desse papiro, cientistas acreditavam que a versão mais antiga do “Evangelho Pseudo-Tomé” era um códice do século XI.

De acordo com o brasileiro, o papiro descreve um milagre de Jesus durante a infância, que foi dar vida a pássaros de argila. O documento foi escrito em grego, confirmando as suposições de pesquisadores sobre a linguagem original do evangelho.

Berkes e Macedo usaram tecnologias recentes para decifrar o idioma do texto no papiro e, posteriormente, compararam com outros textos cristãos do mesmo período. Ao decifrar letra por letra, os pesquisadores perceberam que o documento não se tratava de um registro qualquer.

Além disso, eles acreditam que o “Evangelho Pseudo-Tomé” foi criado como um exercício de escrita de uma escola ou monastério, o que, segundo eles, explica a caligrafia “desajeitada e as linhas irregulares”.

Fonte

As Grandes Epidemias da História

Em virtude das condições sanitárias das cidades e do desconhecimento da etiologia das doenças infecciosas, grandes epidemias assolaram as Nações no passado, dizimando suas populações, limitando o crescimento demográfico, e mudando, muitas vezes, o curso da história.

Tais epidemias foram genericamente rotuladas de peste, embora muitas delas não tenham sido causadas pelo bacilo da peste (Yersinia pestis) e fossem, provavelmente, epidemias de varíola, tifo exantemático, cólera, malária ou febre tifóide.

Possivelmente a primeira notícia sobre a peste bubônica seja a narrativa que se encontra na Bíblia sobre a praga que acometeu os filisteus. Estes tomaram dos hebreus a arca do Senhor e foram castigados. "A mão do Senhor veio contra aquela cidade, com uma grande vexação; pois feriu aos homens daquela cidade, desde o pequeno até ao grande e tinham hemorróidas nas partes secretas" (Samuel 1:6.9). Decidiram, então, devolver a arca, com a oferta de 5 ratos de ouro e 5 hemorróidas de ouro. "Fazei, pois, umas imagens das vossas hemorróidas e as imagens dos vossos ratos, que andam destruindo a terra, e dai glória ao Deus de Israel" (Samuel 1:6.5). E os hebreus também foram vitimados pela peste após receberem a arca de volta. "E feriu o Senhor os homens de Bete-Semes, porquanto olharam para dentro da arca do Senhor, até ferir do povo cinqüenta mil e setenta homens; então o povo se entristeceu, porquanto o Senhor fizera grande estrago entre o povo (Samuel 1:6.19). (A Bíblia Sagrada. Trad. de João Ferreira de Almeida - 50a. impressão. Rio de Janeiro, Imprensa Bíblica Brasileira, 1981, p. 287-9).

Peste de Atenas

  A peste de Atenas ocorreu em 428 a.C. e foi narrada por Tucídides, em seu livro "A guerra do Peloponeso". O relato que deixou da epidemia é tão rico de informações que merece ser conhecido no texto original. Vejamos algumas passagens.

"No começo do verão, os peloponesos e seus aliados invadiram o território da Ática. Firmaram seu campo e dominaram o país. Poucos dias depois, sobreveio aos atenienses uma terrível epidemia, a qual atacou primeiro a cidade de Lemos e outros lugares. Jamais se vira em parte alguma açoite semelhante e vítimas tão numerosas; os médicos nada podiam fazer, pois de princípio desconheciam a natureza da enfermidade e além disso foram os primeiros a ter contato com os doentes e morreram em primeiro lugar. A ciência humana mostrou-se incapaz; em vão se elevavam orações nos templos e se dirigiam preces aos oráculos. Finalmente, tudo foi renunciado ante a força da epidemia..."

 "Em geral, o indivíduo no gozo de perfeita saúde via-se subitamente presa dos seguintes sintomas: sentia em primeiro lugar violenta dor de cabeça; os olhos ficavam vermelhos e inflamados; a língua e a faringe assumiam aspecto sanguinolento; a respiração tornava-se irregular e o hálito fétido. Seguiam-se espirros e rouquidão. Pouco depois a dor se localizava no peito, acompanhada de tosse violenta; quando atingia o estômago, provocava náuseas e vômitos com regurgitação de bile. Quase todos os doentes eram acometidos por crises de soluços e convulsões de intensidade variável de um caso a outro. A pele não se mostrava muito quente ao tato nem também lívida, mas avermelhada e cheia de erupções com o formato de pequenas empolas (pústulas) e feridas. O calor intenso era tão pronunciado que o contato da roupa se tornava intolerável. Os doentes ficavam despidos e somente desejavam atirar-se na água fria, o que muitos faziam...". "A maior parte morria ao cabo de 7 a 9 dias consumida pelo fogo interior. Nos que ultrapassavam aquele termo, o mal descia aos intestinos, provocando ulcerações acompanhadas de diarréia rebelde que os levava à morte por debilidade".

"A enfermidade desconhecida castigava com tal violência que desconcertava a natureza humana. Os pássaros e os animais carnívoros não tocavam nos cadáveres apesar da infinidade deles que ficavam insepultos. Se algum os tocava caía morto".

"Nenhum temperamento, robusto ou débil, resistiu à enfermidade. Todos adoeciam, qualquer que fosse o regime adotado. O mais grave era o desespero que se apossava da pessoa ao sentir-se atacado: imediatamente perdia a esperança e, em lugar de resistir, entregava-se inteiramente. Contaminavam-se mutuamente e morriam como rebanhos".

As consequências da peste foram desastrosas para Atenas. Uma das vítimas da epidemia foi Péricles, o grande estadista, sob cujo governo a civilização grega atingiu o seu apogeu.

Veja o resto do texto aqui